quinta-feira, 10 de setembro de 2009

PRESENÇA DE DEUS




Gosto de crer que a vida seja um convite ao aprendizado da disponibilidade, da gratuidade, da simplicidade e despojamento. Um chamado à entrega verdadeira, negação dos preconceitos e expectativas que nos prendem e impedem de conhecer verdadeiramente.


Preciso crer que algo divino e muito maior age, independente de nós e a nosso favor. Prefiro esperar por algo grandioso que revele a presença de Deus em nossa vida. Às vezes a esperança fraqueja, mas confio que o que nos acontece nos serve como guia para um estado de contemplação, superação e plenitude, muito além de conquistas desejadas pelo ser prático e utilitário que naturalmente somos.


Creio que somos instrumentos. Não marionetes! mas instrumentos com a função de concretizar uma verdade capaz de redimir e transformar. Agentes construtores de um plano de amor e vida em abundância!

domingo, 30 de agosto de 2009

SEMENTE DO AMANHÃ


"Ontem um menino que brincava me falou
que hoje é semente do amanhã...
Para não ter medo, que este tempo vai passar...
Não se desespere não, nem pare de sonhar.
Nunca se entregue,
nasça sempre com as manhãs...
Deixe a luz do sol brilhar no céu do seu olhar!
Fé na vida,
fé no homem, fé no que virá!
nós podemos tudo,
Nós podemos mais.
Vamos lá fazer o que será."

(música ´Semente do Amanhã´, Gonzaguinha)
Ótimas palavras pra reanimar as forças num princípio de semana...

domingo, 23 de agosto de 2009

AINDA SOBRE SER PSICÓLOGA...



"Pois fica decretado, a partir de hoje,
que terapeuta é gente também.
Sofre e chora, ama e sente, e, às vezes, precisa falar;
o olhar atento, o ouvido aberto
escutando a tristeza do outro
quando, às vezes, a tristeza maior, está dentro do seu peito.
Quanto a mim, fico triste e fico alegre,
e sinto raiva também.
Sou carne e sou osso e quero que você saiba isso de mim.
E agora, que já sabe que sou gente,
quer falar de voce pra mim?"

(Claro Feldman de Miranda)

AOS PACIENTES

"Nada lhe posso dar que já não exista em você mesmo.
Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens,
além daquele que há em sua própria alma.
Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave.
Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo,
e isso é tudo"

(Herman Hesse)

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

SOBRE SER PSICÓLOGA



Fui parar na psicologia meio que por acaso. Sim, porque quando perguntada sobre o que se quer ser quando crescer, ninguém responde que quer ser psicóloga... Professora, médico, veterinária, motorista, até astronauta, mas psicóloga... não! A gente nem mesmo sabe que isso existe...O fato é que hoje sou psicóloga! Pra falar a verdade não sei se isso é bom ou ruim. Às vezes tenho a sensação de ser privilegiada por isso, outras vezes tenho vontade de jogar tudo pro alto e tentar a carreira de... qq coisa que aparecer! rsrsrs

Mas hoje nao vou falar sobre isso. Quero dizer sobre uma opinião que é quase um consenso... O fato de acharem que "os psicólogos são meio loucos!" Às vezes, a gente passa essa idéia mesmo. Eu mesma me acho "doida" em alguns momentos e acho muito difícil conviver comigo mesma... rsrsrs

Devemos mesmo ser meio "loucos"! Ninguém em sã consciência escolheria passar hoooras do seu dia partilhando do sofrimento do outro. Acho que seria bem mais prazeroso ser um jardineiro que cultiva belas flores ou um engenheiro que constrói amplas casas. Quem sabe fosse mais grandioso ser um médico que salva vidas ou mais vantajoso ser um garimpeiro a procurar pedras preciosas...?

Quer saber? Somos, sim, tudo isso! Tal qual um jardineiro, cultivamos esperança e como o engenheiro construímos lares mais harmoniosos. Garimpamos. E como é árdua a garimpagem!!! Esforço mental e emocional muito além daquela caricatura do psicoterapeuta que "dorme" enquanto o outro se lamuria... E encontramos pedras preciosas até então não sabidas nem mesmo por aquele que as carrega. Por isso, ouso dizer que, tal como médicos, salvamos vidas...

Não! Não somos superpoderosos, magos ou videntes! Mas buscamos sim, a magia do poder de transformação que acreditamos escondido em cada ser. Por isso, quero dedicar aos meus companheiros psicólogos os meus pesares e minhas congratulações...
Meus pesares por compartilharem comigo as agruras dessa profissão que, porque ainda incipiente, nos exige tanto esforço, coragem e determinação. Mas a vocês também minha homenagem por acreditar que é possível, por persistir na luta e por acreditar que o sofrimento humano não precisa ser a regra.

Se ter como objetivo ajudar o outro, aceitar a pessoa que se coloca pra nós sem julgamento, acolher a diversidade, se comover com o sofrimento alheio é ser "louco", então somos mesmo loucos! E que pena que nem todos o sejam...

domingo, 9 de agosto de 2009

"O nosso verdadeiro lugar de nascimento é aquele em que lançamos pela primeira vez um olhar de inteligência sobre nós próprios"
(Marguerite Yourcenar)

domingo, 2 de agosto de 2009

NO MUNDO DOS SONHOS

Quero um mundo
onde a censura já não se imponha,
a perfeição não seja exigida,
as desabilidades sejam acolhidas.

Quero um mundo no qual
as verdades sejam ditas,
os automatismos questionados
e as palavras refletidas.

Quero as diferenças respeitadas,
a inteligência aguçada.
Quero uma vida engraçada.

Quero um mundo onde
o sonho de consumo seja o afeto,
e o povo, disperto,
se dê conta do que é o certo.

QUERO...



Quero voltar!
Regressar para de onde parti.
Me cansei de tanto lutar.
Minhas forças se esgotaram
e acho que não posso continuar.

Quero parar!
Simplesmente estar num lugar tranquilo,
onde nada é exigido,
onde eu possa confortavelmente me acomodar.

Quero extravasar!
Soltar toda essa energia contida,
represada por uma antiga mania.
Estranho hábito de acumular.

Quero abrir mão do passado e acolher o futuro,
mas vivendo o presente de forma intensa e libertária.
Quero a simplicidade da vida cotidiana.
Que se danem sucesso e realizações.
Quero apenas entregas verdadeiras, momentos sublimes!

quarta-feira, 29 de julho de 2009

MÁSCARAS


"Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era
e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pregada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó
que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo.
E vou escrever esta história
para provar que sou sublime."


("Tabacaria", Fernando Pessoa)

quarta-feira, 15 de julho de 2009

QUERO SER UMA ÁRVORE...


Quero ser uma árvore FRONDOSA, que não se esqueça que partiu de uma frágil semente, mas que busque alcançar a PLENITUDE dos ares mais elevados.

Quero ser uma árvore EXUBERANTE, que compartilhe com os outros sua BELEZA, mas que reconheça que beleza maior é a da floresta INTEIRA.
Quero ser uma árvore FORTE, que conserve a CORAGEM original de romper a semente e que não envergue com qualquer ventania. Mas que tal fortaleza não se torne rigidez, permitindo a SUBLIME ENTREGA ao balanço tranqüilizante de uma brisa SUAVE.
Quero ser uma árvore GENEROSA, com copa DENSA o bastante para gerar sombra que ABRIGUE os necessitados de descanso. Que no seu EQUILÍBRIO, saiba se desprender das folhas desnecessárias que sirvam pra FERTILIZAR o solo.
Quero ser uma árvore PLENA! Semente FRUTUOSA, raízes SEGURAS, tronco FIRME, galhos GENEROSOS, folhas ACONCHEGANTES, frutos ESPERANÇOSOS de novas sementes...
Quero ser uma árvore que ao tombar sobre o solo, tenha a certeza de que soube tirar dele exatamente o necessário para o seu sustento. Nem mais, nem menos!

quinta-feira, 9 de julho de 2009

VIR A SER


"Eu procuro por mim.
Eu procuro por tudo o que é meu
e que em mim se esconde.
Eu procuro por um saber que ainda não sei,
mas que de alguma forma já sabe em mim.
Eu sou assim...
processo constante de vir a ser.
O que sou e ainda serei são verbos que se conjugam
sob áurea de um mistério fascinante.
Eu me recebo de Deus e a Ele me devolvo.
Movimento que não termina
porque terminar é o mesmo que deixar de ser.
Eu sou o que sou na medida em que me permito ser.
E quando não sou é porque o ser eu não soube escolher."

(do livro "Quem me roubou de mim - O sequestro da subjetividade e o desafio de ser pessoa", Fabio de Melo)

sábado, 4 de julho de 2009

DA MINHA JANELA...


Da minha janela vejo a chuva cair.
As folhas das árvores agora brilham e se regozijam com o toque das gotas suaves.
A rua trnaforma-se em rio; ponto de encontro das águas que correm sedentas por encontrar o mar.
O perfume de terra molhada me faz suspirar.
Como que bênção dos céus, vem nossa alma lavar e nosso sono embalar.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

PORTAS



Portas foram abertas.
Outras permanecem fechadas.
Algumas se abriram sem que eu nem mesmo as notasse fechadas.
Outras se fecharam por mais que eu as quisesse abertas.

No abre e fecha de portas, sigo sem ainda compreender o que as faz abrir ou fechar. As chaves tanto fecham quanto abrem, mas saber como usá-las é um desafio. Que chave se encaixa em qual fechadura? E mesmo que se encaixe, como e quando será melhor usá-la?

O caminho segue. As portas se multiplicam. A dúvida se modifica mas permanece... Que porta devo abrir? Qual devo fechar? O que cada uma delas esconde? Quem dera elas fossem de vidro e me permitissem uma espiadela... Mas não! São madeira maciça... Não nos permitem vislumbrar o que escondem. Posso olhar pelo buraco da fechadura... ou talvez fosse melhor escancará-las de vez...

Acho que escolho abrir. Na dúvida, eu torno a fechá-las correndo!

quarta-feira, 17 de junho de 2009

RECRIAR



REFLETIR, sempre!
RESISTIR às dificuldades, mas nunca às oportunidades.
REINVENTAR o que não estiver à contento.
REINTEGRAR o que nos for agradável.
RECOMEÇAR a cada dia.
REPARAR os erros cometidos.
RESTAURAR qualidades que o tempo nos fez esquecer.

CONFIAR naqueles que o fizerem por merecer.
CONSERVAR apenas o que nos faz melhores.
COOPERAR para o crescimento de todos.

RECRIAR-se a si mesmo, em busca da liberdade, da criatividade e da felicidade!

sexta-feira, 12 de junho de 2009

DE VOLTA...



De fato, andei sumida... mas estou de volta! A vida nos reserva surpresas, às vezes agradáveis, outras vezes nem tanto. Problemas de saúde trazem sempre consigo a lembrança de nossa impotência. Contudo, podem também nos servir como um exercício de fé. Cabe a cada um de nós aproveitar da melhor maneira possível tais acontecimentos. O susto foi grande mas só tenho a agradecer! Deus se fez presente e a vida vai voltando ao normal...

quarta-feira, 27 de maio de 2009

CRÔNICA


Calmamente ele retira o envelope da mochila. Voltava do colégio e resolveu aproveitar o tempo que passaria no ônibus para ler a carta que recebera. Era um envelope branco, lacrado com uma etiqueta vermelha, brilhante, que ele procurou abrir com todo cuidado. O colega ao lado ficou curioso, se entreolharam. De dentro do envelope, retirou um papel dobrado, também lacrado. Mais uma vez, retirou com todo cuidado a etiqueta revelando um cuidado e instigando uma curiosidade: o que mereceria tanto cuidado de ambas as partes, do leitor e do remetente?
Finalmente, uma folha de caderno manuscrita. Retirou-a, abriu, desdobrando parte por parte como que receoso em saber o que ali estava escrito. Olhou para o colega e meio que se esquivando do olhar curioso do vizinho começou a ler, informando apenas que recebera de uma garota do colégio, da outra turma. Prosseguiu então a leitura. Por vezes sorria e comentava algo com o colega, ainda que tentando esconder a carta para que ninguém pudesse acompanhar a leitura. Alternava entre o sorriso e uma expressão séria, um olhar compenetrado, como que estivesse preocupado com o que faria com a informação que estava a receber. Uma carta de amor, possivelmente. De confissão de um amor adolescente, desses que se apresenta e a gente não sabe o que fazer, como revelar. Que nos estufa o peito, trava a garganta, ilumina os olhos... A carta foi a maneira que a jovem encontrou para revelar esse segredo. E ele, ali, meio que atônito, sem saber o que fazer com isso que lhe foi endereçado. Não a carta. O amor! A carta, ele, com o mesmo cuidado, devolveu para a mochila. O amor? Bom, esse não pude saber o que foi feito dele. O jovem desceu do ônibus antes que pudesse me dar qualquer pista de como terminaria a estória. O olhar preocupado? Esse permaneceu. Como se não soubesse o que fazer, que caminho tomar, o que escolher. Pensativo continuou, como que lhe pesasse a decisão em como responder ao sentimento. Talvez não estivesse preparado para a notícia. Talvez goste de outra. E como dizer isso a quem nos ama? Dizer que amor não escolhe? É clichê, mas não é a pura verdade? Talvez pensasse em se dedicar a esse sentimento, mas será que valeria a pena? Estaria pronto para a responsabilidade que emana de tamanho sentimento? Não sabia. Como saber, senão tentando?!
Se de fato foi isso que aconteceu, também eu, não sei. Imagino! Não poderei afirmar. Afinal, uma crônica não é simplesmente nosso olhar sobre um fato com o qual nos deparamos?!